E SE OS EUA PERDER A GUERRA CONTRA O IRÃ? | O que isso significa pro seu bolso?
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https://www.youtube.com/watch?v=7EBNjOuA-mI
Statut
Analyzed
Demandé Le
March 18, 2026 at 06:00 AM
Performance Globale
-12,28%
Recommandations
PRIO3
BUY
"recomendação da compra de Prio 3"
Contexte: “Eu também falei de uma recomendação que os analistas da Finclass deram em janeiro, ali dando recomendação da compra de Prio 3, que é a maior produtora independente de petróleo do Brasil.”
Prix à la date de publication: R$62,69
Prix de clôture du dernier jour: R$55,61
(Jul 10, 2026)
Bénéfice/Perte:
R$-7,08
(-11,29%)
BTC
BUY
"representa uma oportunidade de entrada"
Contexte: “...que é o Bitcoin... E hoje ele está num patamar de preço que, historicamente, representa uma oportunidade de entrada.”
Prix à la date de publication: $73 962,00
Prix de clôture du dernier jour: $64 153,00
(Jul 11, 2026)
Bénéfice/Perte:
$-9 809,00
(-13,26%)
Transcription Complète
A guerra acaba quando eu quiser que ela acabe. Essa frase foi dita pelo Donald Trump alguns poucos dias atrás e numa reunião do G7, ele disse para o mundo todo que o Irã está prestes a se render. Mas você pode estar pensando, se o Trump disse que acabou todo esse conflito do Irã, então terminou mesmo. E vamos voltar para a normalidade da nossa vida depois disso. Só que enquanto o Trump dizia isso, uma coisa estava acontecendo nas bolsas de valores de todo mundo. O barril do petróleo cruzou os 100 dólares pela primeira vez desde 2022. Um produto que estava a 60 dólares em janeiro, alta de 40% em menos de três meses. E no Pentágono, o secretário de defesa americano revelou algo sobre o novo líder supremo do Irã, que é o Mostaba Khamenei, que diz tudo sobre o estado real dessa guerra. Ele diz assim, ó. O líder supremo que não aparece, não fala, de que provavelmente não pode mostrar o rosto, isso daqui não é uma guerra acabando, isso é uma guerra que está se transformando. No vídeo anterior eu te contei o que aconteceu, o porquê dessa guerra existir, como foram os primeiros ataques, o Estreto de Hormuz fechando, os países do Golfo sendo bombardeados, o cenário, os fatos. Esse vídeo aqui é diferente. Hoje eu quero te ensinar a pensar sobre essa guerra da mesma forma que os estrategistas militares, os analistas de risco dos maiores bancos do mundo e os negociadores de paz pensam. Só que antes de entrarmos a fundo nesse vídeo, eu tenho um pedido muito simples para te fazer, deixa o like aqui nesse vídeo, se inscreve no canal. Isso me ajuda a entender se vocês realmente estão gostando desse tipo de conteúdo e motiva a gente a produzir cada vez mais aqui no canal. E bom, para a gente começar o vídeo, eu tenho uma pergunta para te fazer. Você já ouviu falar na teoria dos jogos? A teoria dos jogos é uma área da matemática e da economia que estuda como as pessoas, as empresas e os países tomam decisões quando o resultado delas depende não somente do que elas fazem, mas também do que o outro faz. Então não é sobre jogos de tabuleiro, é sobre decisões estratégicas em situações de conflito ou cooperação. Foi desenvolvida então por um matemático chamado John Nash, essa teoria, que é aquele do filme Uma Mente Brilhante, e ela é usada hoje por governos, por exércitos, bancos centrais e grandes corporações. A ideia dessa teoria é muito simples. Antes de agir, um jogador racional pensa no que o outro vai fazer em resposta. E aí depois pensa no que vai fazer em resposta a essa resposta. É como se fosse um jogo de antecipação em cadeia. O exemplo mais famoso da teoria dos jogos é o dilema do prisioneiro, onde tem dois suspeitos que são presos separadamente e cada um tem a escolha de trair o outro ou ficar em silêncio. Se os dois ficam em silêncio, os dois saem quase livres. Se um trai e o outro não, o que traiu sai livre. e o outro pega pena máxima. Se os dois traírem ao mesmo tempo, os dois pegam pena média. O problema é que individualmente a lógica racional leva os dois a trair, mesmo que o resultado coletivo ótimo fosse os dois ficar em silêncio. Isso é o que os economistas chamam de equilíbrio de Nash. O ponto onde nenhum jogador tem incentivo para mudar de estratégia, dado o que o outro está fazendo. Agora se aplica isso a uma guerra. Cada país é um jogador, cada decisão, tacar, recuar, negociar, escalar, tem um custo e um benefício. E o resultado final não depende só do que você que você decide. Depende do que o outro decide em resposta ao que você decidiu. Então é um tabuleiro gigante com múltiplos jogadores onde cada movimento muda o jogo para todo mundo. Na teoria dos jogos, aplicada a conflitos militares, tem um conceito chamado escada de escalada. Toda guerra começa num degrau e pode subir até o mais alto, que é o uso de armas nucleares. A lógica convencional diz que quem pode subir mais alto ganha. E os Estados Unidos e Israel têm armas nucleares. O Irã não tem. Pela lógica convencional, os Estados Unidos deveriam ganhar fácil. Só que a teoria dos jogos revela algo que a lógica convencional esconde. Controle é mais importante do que a dominância. Vou usar um exemplo agora que eu vi no vídeo do professor Jiang, que acertou desde o início sobre a guerra e fez algumas previsões muito legais. E os vídeos dele são sempre em inglês, então talvez vocês não tenham visto. Justamente por isso eu trouxe aqui o exemplo que ele usou em um dos vídeos com a minha visão e simplificado para o português. Bom, imagina uma escola. Tem um valentão, o maior, o mais forte, e aí todo dia na cantina esse valentão cobra um pedágio de todo mundo. Já passou por isso? A dominância dele é absoluta na escola. E aí esse valentão se chama Estados Unidos. Aí aparece um aluno novo e esse aluno novo não paga. O valentão ameaça ele. E aí o menino ignora. E aí começa a acontecer algo estranho. Os outros alunos percebem que talvez dê para não pagar também. E acontece que esse aluno novo se chama Irã, o valentão. está preso numa armadilha. Se ele não fizer nada, ele perde a credibilidade. Mas se ele bater no menino novo e ele não ganhar de uma forma convincente, ele perde ainda mais. Então, ele só tem a opção de escalar. Só que escalar tem um custo enorme. O menino novo tem uma flexibilidade. Ele pode provocar ou não. Ele pode responder ou ignorar. Ele pode criar alianças. Ele tem controle sobre o ritmo do jogo. E na teoria dos jogos, isso é o que chamam de vantagem de primeira ação combinada com flexibilidade estratégica. É exatamente a posição do Irã hoje. Só que como que o Irã chegou nessa posição. Como um país sob sanções, isolado, sem aliados formais no ocidente, conseguiu criar essa alavanca? Essa posição tão relevante. E para entender isso, a gente precisa voltar a alguns anos no passado. Mais especificamente para 1991, na Primeira Guerra do Golfo. Os Estados Unidos, então, lideraram uma coalizão global para tirar um cara chamado Saddam Hussein do Kuwait. Era o momento de consagração americana, tinha uma dominância absoluta, todos os países do mundo apoiaram. Aqui a gente via o ápice do poder unipolar dos Estados Unidos, do americano. E o Valentão aqui estava no seu auge. Os Estados Unidos não conseguiram tirar o Saddam Hussein, então alguns anos depois, em 2003, veio a Segunda Guerra do Golfo. E nessa sim, os Estados Unidos invadiram o Iraque e conseguiram de fato derrubar o Hussein. E aqui aconteceu algo que vai ser fundamental para entender tudo tudo o que se segue depois. Porque ao derrubar o Saddam, os americanos acabaram entregando o Iraque para o Irã. E foi o maior presente estratégico da história moderna e os Estados Unidos nem perceberam isso na hora. Eu mencionei isso aqui no vídeo anterior, se você assistiu, você deve lembrar, mas o Saddam era sunita e ele dominava uma maioria populacional chiíta no Iraque. O Irã é chiíta e sem o Saddam no caminho, o Iraque foi naturalmente se aproximando do Irã. O Irã passou a ter um arco de influência por terra, das montanhas da fronteira com o Afeganistão até o mar Mediterrâneo. E com esse arco de influência, o Irã conseguiu construir o eixo da resistência. Hezbollah no Líbano, Hamas na Palestina, Houthis no Iêmen, milícias no Iraque, Assad na Síria. Então tinha tudo isso. E aí o aluno novo estava construindo as alianças dentro da escola, exatamente como a teoria dos jogos prevê. O ápice dessas alianças aconteceu quando o Irã coordenou e financiou o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A partir daí, o Israel foi desmontando a rede peça por peça, até que Israel chegou a uma conclusão. É hora de enfrentar o Irã diretamente. E aí essa guerra que se instalou agora entre os Estados Unidos, Israel e Irã não é um acidente. É 20 anos de acúmulo. O aluno novo calculou. Melhor brigar agora, quando eu ainda tenho as alianças, do que esperar o valentão me isolar aos poucos. E quando três rivais querem a guerra ao mesmo tempo, a guerra acontece. Vamos agora para os quatro jogadores dessa guerra, porque entender o que cada um que é de verdade, não o que declara publicamente, é a chave para a gente entender onde isso vai parar. Primeiro jogador, Estados Unidos. O objetivo declarado é destruir o programa nuclear iraniano e degradar a capacidade militar do Irã. Só que o objetivo real, pela lógica da teoria dos jogos, é manter o sistema do petrodólar funcionando. O dólar americano só vale porque os países do Golfo vendem petróleo exclusivamente em dólar. Se o Irã assumir o controle do estreito de Hormuz, essa lógica vai colapsar. E depois que o estreito foi fechado, o barril saiu, 60 dólares para 100 dólares. É uma alta de 40% em poucas semanas. Foi a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, segundo a Agência Internacional de Energia. Aliás, no vídeo passado, o barril tinha ido de 60 dólares para perto de 80. Eu disse que provavelmente ele ia continuar subindo se a situação continuasse piorando. Eu também falei de uma recomendação que os analistas da Finclass deram em janeiro, ali dando recomendação da compra de Prio 3, que é a maior produtora independente de petróleo do Brasil. Desde essa recomendação, a ação subiu mais de 30%. Então, quem se posicionou antes desses movimentos acontecerem, ganhou dinheiro. Aí beleza. Segundo jogador, o Irã. O objetivo não é vencer militarmente. O Irã sabe que não dá. O objetivo é fazer o custo da guerra ser tão alto para os Estados Unidos que eles podem acabar desistindo de todo o conflito. E o Irã tem uma arma econômica que poucos estão discutindo, que são as plantas de dessalinização. No Oriente Médio, tem 450 plantas que dessalinizam a água do mar para abastecer as populações inteiras do deserto. A própria CIA diz que as plantas da dessalinização são alvos mais críticos do que os campos de petróleo. E o Irã, que já atacou aeroporto, hotel, porto, refinaria e até prédio de luxo em Dubai, não deu sinais de que vai poupar esse alvo. O terceiro jogador aqui é Israel. Israel não quer que os Estados Unidos ganhe rápido. Ele quer uma guerra longa que desgaste tanto o Irã quanto os Estados Unidos, deixando Israel com uma potência dominante do Oriente Médio. O objetivo é o colapso total do regime iraniano, não só degradar o programa nuclear, também derrubar o governo. E isso não está necessariamente alinhado com o objetivo americano. E temos um quarto jogador, que a Arábia Saudita. Ela quer que o Irã e os Estados Unidos saiam enfraquecidos e ela saia como o árbitro da região. Inclusive, os países árabes do Golfo já comunicaram aos Estados Unidos que eles querem a queda do regime. Porque enquanto o regime iraniano existir, eles nunca vão ter paz. E quando você coloca esses quatro tabuleiros sobrepostos, três dos quatro têm interesse em prolongar essa guerra. Só os Estados Unidos têm interesse em terminar rápido. E agora que você já entendeu os possíveis interesses de cada um desses jogadores no conflito. Aí eu preciso te explicar a lógica de como essa guerra está sendo travada no campo de batalha. Porque tem uma matemática aqui que é meio assustadora. O Irã tem um drone chamado Shahed que custa em torno de 20 mil dólares e tem um estoque estimado de 80 mil desses. E para derrubar um Shahed, os Estados Unidos e os aliados usam um míssel Patriot que custa bagatela de 4 milhões de dólares. Ou seja, são 20 mil dólares contra 4 milhões de dólares. Então se o Irã lançar todos os drones, a conta do lado americano e os aliados para derrubar para eles, seria de centenas de bilhões de dólares. Esses mísseis não são fabricados em quantidade suficiente para repor isso tão rápido. E ainda tem efeitos de segunda, terceira e quarta ordem aqui. Os Estados Unidos estão movendo o sistema de defesa antimíssel do Indo-Pacífico para o Oriente Médio. Enquanto isso acontece, a Ásia está ficando menos defendida. E quem está de olho nisso? A China. Inclusive, recentemente, Taiwan detectou 26 aeronaves militares chinesas rodando Taiwan. E se você assistiu o vídeo que a gente fez algumas semanas atrás sobre Taiwan, você já deve imaginar que a situação ali está ficando bem feia. E como se não bastasse isso, para tentar controlar o preço do petróleo que está destruindo a popularidade do Trump, os Estados Unidos concederam uma isenção de 30 dias para que os países possam comprar petróleo russo retido no mar 100 milhões de barris. E a medida vale até 11 de abril. O resultado é que a Europa ficou louca, ficou furiosa. A presidente da Comissão Europeia disse que agora não é hora de aliviar as sanções contra a Rússia. O Reino Unido declarou que não vai seguir os Estados Unidos de forma alguma. Consequência de primeira ordem, esse sistema de defesa pro Oriente Médio. Consequência de segunda ordem, China cada vez mais de olho em Taiwan. E consequência de terceira ordem, a guerra no Irã tá gerando receita extra pro Putin financiar a guerra na Ucrânia. Agora a pergunta que todo mundo tá fazendo. Qual a probabilidade real de uma arma nuclear ser usada nessa guerra? Na escada de escalada, armas nucleares vão ficar no topo. E pra chegar lá, é preciso passar por vários degraus anteriores. Nenhum foi ativado ainda. Mas o argumento mais importante é sobre incentivos. Os Estados Unidos usaria uma bomba nuclear? Quase impossível. A aprovação de guerra, ela tá em 41 que é a mais baixa de qualquer conflito americano na história recente. Israel usaria? Bom, tem entre 80 e 400 ogivas não confirmadas, mas usar agora seria contra o interesse de uma guerra longa. Então é pouco provável. O Irã usaria? Bom, antes dos ataques, o Irã tinha acumulado cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%. E para ter uma bomba, você precisa chegar a 90%. Então a pergunta certa não é o Irã tem uma bomba, é o Irã ainda consegue fazer uma. E aliás, só um adendo aqui, ocorreu um boato sobre por o Brasil ter fornecido urânio para o Irã, porque uns bancos iranianos tinham aportado no Rio de Janeiro em 2023, mas canais de mídia, tipo o Estadão, dizem que é só um boato que não é verdade. E, aliás, o Brasil não tem permissão para vender urânio com finalidade bélica. Mas vamos supor que o Irã conseguisse fazer a bomba nuclear. Nem a China, nem a Rússia, os únicos parceiros que o Irã ainda tem, defenderiam isso. Seria entregar para o Vale, então, o argumento perfeito para uma resposta. E nenhum jogador racional aperta esse botão quando ainda tem outras cartas na mão. Então, pela lógica, é improvável que a guerra chega nesse patamar. Mas obviamente essa guerra vai ter e já está tendo consequências econômicas globais. Num cenário com tantas variáveis acontecendo, petróleo a 100 dólares, inflação de volta, dólar disparando, corte da Selic em menor escala. A pergunta mais importante é, a sua carteira de investimentos está preparada para isso? Se você fosse assinante da Finclass, mesmo com esse cenário de incerteza, você já teria capturado boa parte desse movimento do petróleo com recomendações que os nossos analistas deram. Em questões de semanas, você teria uma ação da sua carteira que se beneficiaria de todo esse cenário caótico e estaria ganhando mais de 30% somente com essa recomendação. Quando a Prio 3 entrou na carteira da Finclass, ela negociava R$40,00 e hoje ela está quase R$60,00. Então, infelizmente, boa parte da rentabilidade da Prio você já perdeu. Mas, para a felicidade da sua carteira de investimentos e do seu bolso, dia 23 de abril, a Finclass faz aniversário. E se você clicar no link que está na descrição ou escanear o QR Code na tela, você entra na lista de espera para assinar a Finclass com 50% de desconto no plano anual. Você vai ter acesso a um monte de aulas e as nossas carteiras recomendadas para poder melhorar o seu portfólio de investimentos e não só se proteger desse conflito que está escalando cada dia mais, mas também ganhar dinheiro com ele. Então, clica no link e se inscreve. Pois bem, agora que você já entendeu todos os possíveis cenários para onde essa na guerra pode ir, você deve estar pensando qual vai ser o impacto econômico real de todo esse conflito aqui no Brasil. A Bloomberg publicou essa semana um estudo sobre possíveis cenários de preço do barril do petróleo nessa guerra e ele mostra quatro cenários para o preço do Brent dependendo de quanto tempo o estreito de Hormuz ficar fechado. E com o estreito fechado por um mês, o barril vai a cerca de 100 dólares, dois meses 140 dólares e se o bloqueio durar três meses, é o modelo da Bloomberg, projeto barril chegando a 160 dólares por barril, que é o maior preço da da história moderna. O primeiro ataque dos Estados Unidos foi no dia 28 de fevereiro, então na data que eu estou gravando esse vídeo a gente está chegando próximo de fechar o primeiro mês e com o nosso gráfico o petróleo saiu de 60 dólares e cruzou os 100 agora. Então de certa forma esse estudo está bem em linha com o que vem acontecendo com o preço do petróleo e para você entender o impacto desses preços no Brasil e no seu bolso, a gente precisa falar sobre uma coisa chamada defasagem. Uma semana antes do conflito estourar, os relatórios da Abcon diziam que praticamente não existia defasagem no preço da gasolina. A gasolina dos postos de combustíveis custavam em média 2% a mais do que deveriam. Dois dias depois do começo do conflito, os relatórios indicavam 17% de defasagem no preço da gasolina e 22% no diesel. Ou seja, o preço do barril já tinha subido e os postos de gasolina precisavam subir para convergir com o preço internacional. E no dia 9 de março, a defasagem chegou no pico máximo, 49% da gasolina e 85% no diesel. Naquele dia, o preço do barril tinha passado dos 100 dólares. Vários postos começaram a ajustar o preço. O diesel chegou a passar de R$8,00 em vários lugares pelo Brasil. E a situação ficou tão feia que o governo teve que assinar um decreto zerando o PIS e COFINS sobre o diesel, gerando um desconto de R$0,64 por litro. E como nem todo desconto vem de graça, para compensar a queda na arrecadação, o governo começou a taxar em 12% a exportação de petróleo e 50% a exportação do diesel. Só que o fato é, mesmo com essas isenções do governo, o petróleo acima, na casa dos R$100,00, já puxou e ainda vai puxar muito para cima o preço da gasolina, que também já começou. E uma parcela grande da inflação oficial do Brasil, que é medida pelo IPCA, depende direta e indiretamente do preço do combustível em todo o país. E é por isso que, alguns dias antes do conflito, o relatório do Boletim Focus estava dando uma inflação de 3,9% em 2026, ou seja, a inflação brasileira estava aos poucos caindo, só que hoje o IPCA projetado não é mais 3,9%, agora está em 4,10% e com grandes chances de continuar escalando. O Banco Central do Brasil, que estava preparado para começar um ciclo agressivo de cortes na taxa de juros, agora não pode cortar mais na mesma velocidade velocidade. E isso não está acontecendo só no Brasil. Nos Estados Unidos é a mesma coisa. As apostas por cortes agressivos do Fed despencaram desde o início da guerra. O mercado agora projeta só 20 pontos base de cortes pelo Fed nesse ano. Era 50 pontos base a um mês. No Copom, até o fim de fevereiro, uma queda de 0,5% na Selic era de 80% de probabilidade. Era consenso que já estava na hora da Selic começar a cair forte, pelo menos até a guerra explodir. Hoje, o mesmo cenário de 0,5% de queda saiu de 80% para menos de 23% de chance. O mercado tem apostado mais numa queda de 0,25%, que hoje é 53% de chance de acontecer. E por que isso importa tanto para você? Por conta de dois principais motivos. O primeiro é que tem uma relação quase que fosse mecânica, digamos assim, entre o Fed e o Banco Central do Brasil. Então pensem que o Brasil precisa atrair capital estrangeiro para financiar o déficit. Esse capital vem dos investidores internacionais que comparam quanto rende o título americano, considerando que ele é o mais seguro do mundo, mundo versus o quanto rende um título brasileiro e tem um risco de país emergente. E para o dinheiro vir para o Brasil, o diferencial de juros precisa ser atraente o suficiente. Se o FED pausa os cortes, ou pior, ele sinaliza que ele pode subir os juros por causa da inflação gerada pela guerra, o Brasil não pode simplesmente ignorar isso e cortar a Selic na marra, porque aí o real despenca, o câmbio explode e a inflação que a guerra já está importando via petróleo vai virar uma bola de neve ainda maior. Em resumo, Estados Unidos pausam, o Brasil pausa junto. E quem apostava num ciclo longo de cortes de juros no Brasil, vai ter que rever as contas. É o que eu estou fazendo agora. O segundo motivo do porquê isso importa para você é que mesmo existindo uma chance irrelevante da Selic cair nas próximas reuniões, ela provavelmente vai cair em uma velocidade infinitamente menor do que ela de fato poderia. E se você investe em títulos de renda fixa atrelados à inflação de prazos longos ou ações e fundos imobiliários, provavelmente você não vai ver tão cedo um impacto grande desse corte de juros nos seus investimentos. Por outro lado, e pensando com uma cabeça um pouco mais positiva, isso vai te dar mais tempo para trabalhar e investir em títulos de renda fixa que hoje estão pagando 7% ao ano acima da inflação. Afinal de contas, a gente não sabe até quando essa janela de oportunidade vai existir. E até por isso, se você investe seu dinheiro e está preocupado com o que vem acontecendo nas últimas semanas, em 20 semanas, o JP Morgan Private Bank, que é uma das gestoras de fortunas mais respeitadas do planeta, publicou um estudo para os clientes que eu quero te mostrar, que é exatamente o oposto do que o investidor brasileiro médio faz. Olha esse gráfico. Esse aqui é o retorno dos principais ativos do mundo ao longo de 2025, de janeiro até setembro, que são nove meses. Ouro subiu 40%, o mercado emergente subiu 28%, a Europa subiu 15%, o S&P 500 subiu 14%, os títulos globais subiu 8%. E o que ficou para trás? Dinheiro parado. O dinheiro parado rendeu 3% no período. Quem ficou concentrado numa única praça, numa única moeda, perdeu o rally. Aliás, quem ficou com medo de investir perdeu para a inflação. A recomendação do JP Morgan é clara. Saiam da dependência total de um único mercado. Tenham um dólar. mas não tem um só dólar. Isso funciona para qualquer carteira do mundo. Diversifiquem geograficamente. A Europa está acelerando, mercados emergentes se recuperando e ativos que não dependem de nenhum banco central do mundo. O próprio JP Morgan aponta que a Europa e os mercados emergentes negociam desconto de 40% em relação aos Estados Unidos em termos de valuation. Ou seja, o dinheiro inteligente está se posicionando globalmente e tem vários ativos que vale a pena ficar de olho. Além do ouro, além dos fundos globais, fundos de mercados emergentes, além de multinacionais, tem um ativo que funciona exatamente dentro dessa lógica, descorrelacionado de qualquer banco central, de qualquer FED, de qualquer decisão do Copom, que é o Bitcoin. O Bitcoin não tem sede, não tem país, não depende de diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. E hoje ele está num patamar de preço que, historicamente, representa uma oportunidade de entrada. Não estou dizendo para você vender tudo e comprar cripto. O JP Morgan também não diz isso. O que eles dizem, e o que eu digo é, concentração total no único mercado, numa única moeda, no único ciclo de juros, é um risco desnecessário. Especialmente no mundo, onde o petróleo pode ir a 160 dólares, o Fed pode pausar e o Copom pode seguir junto. Turma, vou ficando por aqui. Um grande abraço, até o próximo vídeo e não caminhe sozinho. Clica no link da descrição.