A ECONOMIA DO JAPÃO PODE COLAPSAR O MUNDO (eis o porquê)
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January 26, 2026 at 06:02 AM
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"“...o que você faz? Você coloca o seu dinheiro em alguma coisa que o governo não pode controlar, que não pode ser impresso, que não pode ser manipulado. E para muitos investidores japoneses e não japoneses, isso significa Bitcoin.”"
Context: Trecho sobre proteção/hedge contra desvalorização do iene e inflação: o narrador descreve o que um investidor faria para fugir de controle do governo/Banco Central e conclui que isso significa Bitcoin.
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(Jul 10, 2026)
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Full Transcript
A economia do Japão está colapsando. Isso pode quebrar várias economias do planeta, inclusive a economia do país mais poderoso do mundo, os Estados Unidos. Tudo começou no final de 2025, quando algo sem precedentes aconteceu no mercado financeiro japonês. Os títulos do governo japonês de 40 anos atingiram 3,7% de juros, a máxima histórica desde que esses papéis começaram a ser emitidos. Naquele exato momento, em questão de segundos, os juros americanos dispararam. O Bitcoin começou um ciclo de queda absurdo e afundou de 120 mil dólares para menos de 90 mil. Wall Street entrou num pânico total. e generalizado. Tudo isso por um único e simples motivo. O Japão é o país mais endividado do mundo. Eles devem 260% do PIB, duas vezes e meia, tudo que a economia inteira do país produz num único ano. Pra você ter noção, os Estados Unidos, que todo mundo critica por estar endividado, tem uma dívida de 125% do PIB, metade do Japão. A Grécia, que quase destruiu a economia da Europa inteira em 2011 e precisou de múltiplos resgates, no auge da crise tinha uma dívida de 190% do PIB, no auge. O Brasil tem uma dívida de 90% do PIB e está todo mundo assustado. A Argentina tem 75% e o Japão está com uns 260%. Uma situação extremamente grave. Esse autoendividamento pode devastar completamente a economia dos Estados Unidos e do mundo todo. Mas antes de eu te explicar exatamente o que está acontecendo com o Japão e como isso pode desencadear uma grande crise financeira, eu preciso que você faça uma coisa para mim. Deixa o like aqui no vídeo, se inscreve no canal. Poxa, isso aqui é importante para caramba para o YouTube entender que você quer receber mais vídeos como esse, além de premiar de alguma forma os nossos colaboradores e todo o time por fazer um vídeo tão bacana como esse que você vai assistir. Então clica aí embaixo e é isso aí. E bom, agora você deve estar se perguntando. Beleza, Thiago, mas como que a história toda do endividamento do Japão pode quebrar a economia do mundo inteiro? E o que esses 3,7% de juros tem a ver com tudo isso? E deixa eu te explicar de uma forma ultra simples. Quando o governo precisa de dinheiro, ele vai emitir título. Pensa nesses títulos como se fosse o empréstimo que o governo está pegando. Funciona assim, o governo diz, eu preciso de um bilhão de reais. Então, eu vou emitir títulos prometendo pagar um bilhão mais juros daqui a 10 anos, ou 20 anos, ou 30 anos. Os investidores vão comprar esses títulos e o governo vai usar esse dinheiro para pagar contas, para construir estrada, para pagar funcionário público, enfim, para fazer a sociedade funcionar. Só que cada um desses títulos tem um prazo de vencimento. Quando o prazo acaba, o governo precisa devolver o dinheiro que pegou emprestado, acrescido de um juros. Aí basta você olhar para os títulos do Tesouro Direto, você está emprestando dinheiro ali para o governo, entrou ele vai te devolver esse dinheiro com juros. Agora imagina que você é o governo do Japão, você emitiu um título há 10 anos, prometendo pagar juros de 0,5% ao ano e naquela época era quase de graça então você pegar dinheiro emprestado com o Japão. Esse título ele tá pra vencer agora e o governo do Japão precisa pagar de volta os credores. Só que o governo não tem o dinheiro. Então o que ele faz? O governo do Japão emite um novo título pra pagar o título antigo. É como eu pegar um empréstimo novo pra pagar um empréstimo velho. Só que agora os juros não são mais de 0,5%. Eles são de 3,7%. Isso significa que o Japão vai pagar sete vezes mais caro para pegar o mesmo valor emprestado. E deixa eu colocar isso em números concretos, para você entender o tamanho do problema. O Japão, ele tem uma dívida de aproximadamente 1,14 trilhão de ienes, que é cerca de 8 trilhões de dólares. Quando os juros estavam em 0,5%, o governo japonês pagava cerca de 13 trilhões de ienes por ano só de juros para os credores. Isso já representava 24% de todos todo o orçamento do governo. Só que agora, com juros subindo para 3,7%, como a gente viu nos títulos de 40 anos, o Japão precisa pagar cerca de 40 trilhões de ienes a mais em pagamento de juros todo ano. E para vocês terem uma ideia, o orçamento de defesa inteiro do Japão é de 8 trilhões de ienes. Então, o aumento no pagamento de juros da dívida seria cinco vezes maior que todo o orçamento militar do país. E de onde que viria esse dinheiro para pagar os juros da dívida do Japão? Três opções. Opção 1, cortar gastos drasticamente, que significa cortar dinheiro de saúde educação, infraestrutura, aposentadoria, mas nenhum político quer fazer isso porque é impopular. Opção 2, aumentar impostos, mas o Japão já tem uma carga tributária altíssima e aumentar mais, vai sufocar ainda mais a economia que já está estagnada há 30 anos. E opção 3, pegar ainda mais dívida emprestada. É basicamente usar o cartão de crédito para pagar a fatura do cartão de crédito. E aí você não está resolvendo o problema, você está só empurrando ele para frente e tornando ele maior. E é exatamente isso que o mercado acredita que vai acontecer. Quando os juros dos títulos japoneses sobem para 3%, 3,7%, o mercado está dizendo. A gente não acredita mais que o governo japonês consegue pagar essa dívida. É um risco muito grande emprestar dinheiro para eles. Então, a gente só vai emprestar se a gente receber juros muito mais altos como compensação pelo risco. É como se você fosse pegar um dinheiro emprestado no banco, só que seu nome está negativado. Aí você tem várias dívidas atrasadas, o banco olha e diz. Até empresta para você, mas ao invés de cobrar 5% ao mês, eu vou cobrar 15%, porque o risco de você não pagar é gigantesco. E quando isso acontece com um país, especialmente do tamanho do Japão, que é a quarta maior economia do mundo, ficando atrás só dos Estados Unidos, China e Alemanha, as consequências são catastróficas. Até porque o Japão é o maior detentor estrangeiro da dívida americana. Eles têm 1,2 trilhão de dólares em títulos do governo dos Estados Unidos. Isso significa que durante décadas, quando o governo americano precisava de dinheiro emprestado, o Japão foi o principal credor. Eles compravam os títulos americanos e eles financiaram todo o crescimento dos últimos 50 anos dos Estados Unidos. Só que se agora o Japão está com um problema, se os juros no Japão estão subindo, se fica mais atraente para os investidores japoneses manterem o dinheiro em casa, ao invés de emprestar para os Estados Unidos, quem vai comprar a dívida americana? Se tem menos gente querendo comprar títulos americanos, o que acontece? Os juros americanos também precisam subir para atrair compradores. Pensa comigo, é como se você tivesse duas lojas lado a lado vendendo o mesmo produto. Se a loja A começa a oferecer preços melhores, os clientes vão para lá. Então a loja B é obrigada a melhorar os preços para não perder todos os clientes. E com o país funciona praticamente da mesma forma. Se o Japão está oferecendo juros de 3,7% nos títulos deles, o que o investidor japonês vai emprestar dinheiro para os Estados Unidos a 4? A diferença não compensa, muitas vezes, o risco de ter o dinheiro do outro lado do mundo. Sem falar que a inflação do dólar é historicamente maior que a inflação do iene japonês. Então, se a taxa de juros do Japão sobe, os Estados Unidos são forçados a subir os juros também. E aí começa o efeito dominó que contamina o mundo inteiro. O Japão sobe Estados Unidos sobe, em todos os outros países do mundo também precisam subir, inclusive o nosso, o Brasil. E foi por isso que, conforme os títulos japoneses subiam até 3,7%, os juros nos Estados Unidos também começaram a subir. O primeiro-ministro do Japão admitiu publicamente que a situação fiscal por lá é pior do que a da Grécia durante a crise de 2011, quando eles quase quebraram a Europa inteira. E era a Grécia. Quando um primeiro-ministro admite isso, você sabe que a situação está ruim, realmente ruim. Mas para você entender, como que a gente chegou nessa situação toda, complexa que a gente está vivendo, a gente precisa voltar algumas décadas no tempo, mais especificamente para o dia 29 de dezembro de 1989. Naquele dia, o índice Nikkei, que é a bolsa de valores japonesa, atingiu o pico histórico, 38.915 pontos. Naquela época, o Japão era a segunda maior economia do mundo e estava prestes a se tornar a primeira. Tóquio era o centro financeiro mais poderoso do planeta. As empresas japonesas, Sony, Toyota, Honda, Mitsubishi, elas estavam dominando os mercados consumidores do mundo todo. Das 10 maiores empresas do mundo, por valor de mercado, 8 eram japonesas. A economia do Japão representava cerca de 10% de toda a economia mundial. O PIB per capita do Japão era 10% maior que o dos Estados Unidos e o mercado imobiliário japonês estava numa bolha tão absurda que o terreno do Palácio Imperial de Tóquio, só o terreno, valia mais do que todo o mercado imobiliário do estado da Califórnia. Pensa na loucura disso. Um único terreno em Tóquio valia mais do que todas as casas, os prédios, os imóveis da Califórnia inteiros somados. As empresas japonesas estavam comprando tudo nos Estados Unidos. A Sony comprou a Columbia Pictures por 3.4 bilhões de dólares. A Mitsubishi comprou o Rockefeller Center, que é um ícone americano no coração de Manhattan, por 1.4 bilhão de dólares. Tinha até filme de Hollywood na época, como o Blade Runner, imaginando um futuro onde o Japão dominaria o mundo. Parecia que nada poderia parar o Japão, né? As pessoas realmente acreditavam que em questão de anos, o Japão ultrapassaria os Estados Unidos e se tornaria a maior economia do planeta. Até que em 1990, tudo desmoronou. Em 89, a Nikkei, que é a Bolsa do Japão, estava nas máximas. Um ano depois, o mercado de ações caiu 38%. Então, aqui, trilhões de dólares evaporaram do mercado. Mas pior do que a queda na Bolsa foi a queda no mercado imobiliário. Os preços dos imóveis residenciais caíram mais de 50% entre 1990 e 2000 e os preços de imóveis comerciais caíram 85%. Aquele terreno do Palácio Imperial, que valia mais que toda a Califórnia, perdeu mais de 90% do valor. Pessoas que tinham comprado casas ou apartamentos no auge da bolha, de repente, deviam mais do que as suas propriedades valiam. Empresas que tinham se alavancado para comprar imóveis e ações se viram com dívidas gigantescas e ativos que não valiam nada. Os bancos ficaram com trilhões de ienes e empréstimos que nunca seriam pagos de volta. E a economia japonesa entrou num período que ficou conhecido como a década perdida. E desde então, o Japão simplesmente não cresceu. São 30 anos de uma economia que ficou praticamente estagnada. Só pra vocês terem uma ideia dessa estagnação, o PIB do Japão em 1995 era de cerca de 5,5 trilhões de dólares. Já o PIB do Japão hoje, em 2025, é de 4,2 trilhões de dólares. É A economia, na verdade, não ficou estagnada. Ela encolheu. Ela é menor hoje do que ela era há 30 anos. E para tentar sair dessa estagnação, o governo japonês fez o que todos os governos fazem quando a economia para de crescer. Eles começaram a gastar dinheiro. E muito dinheiro. Eles construíram estradas, pontes, aeroportos, túneis, ferrovias de alta velocidade, injetaram dinheiro em empresas, criaram programas de estímulo atrás de programas de estímulo. E até funcionou por um certo tempo, como sempre. Só que para fazer tudo isso, os governos precisam de imposto. E a receita do governo O governo não acompanhou os gastos. A arrecadação dos impostos ficou praticamente estagnada por três décadas, porque a economia não crescia. Então, o que o governo fez? O governo japonês começou a se endividar. Eles contraíam dívida na tentativa de empurrar a economia e a gente chegou ao ponto que a gente está hoje, uma dívida de 260% do PIB, mais ou menos 1,14 trilhão de ienes, quase 8 trilhões de dólares. Só para você ter uma ideia, uma noção do tamanho desse número, 8 trilhões de dólares é mais que o PIB do Brasil, da Argentina, da França e da Espanha, somadamente. É um número tão absurdamente grande que é até difícil de compreender. E a dívida é só uma parte do problema. Ainda existe o problema dos juros da dívida. Todo ano o governo japonês gasta uma parte gigantesca desca do orçamento só pagando juros dessa dívida. Algo parecido com o que acontece com o Brasil. E como eu mostrei no começo do vídeo, a taxa de juros do Japão está subindo. Então esse número só tende a aumentar. O FMI, que é o Fundo Monetário Internacional, projeta que até 2030 o gasto com juros da dívida do Japão vai dobrar. E até 2036 vai quadruplicar. Mas aqui está a parte que a maioria das pessoas não entende. Como é possível um país sobreviver com uma dívida dessas por tanto tempo? Por que o Japão ainda não quebrou? Por que eles não passaram por um colapso parecido com o da Grécia, 15 anos atrás, e a resposta para essa pergunta tem um nome. O nome é Banco do Japão. O Banco do Japão é o banco central do país, o equivalente ao Banco Central do Brasil ou ao Federal Reserve dos Estados Unidos. Para quem não sabe, o Banco Central é tipo o banco dos bancos. Ele controla quanto o dinheiro circula na economia e define a taxa de juros do país. Quando a economia está muito aquecida, a inflação está subindo, o Banco Central sobe os juros para esfriar as coisas. Quando a economia está travada e precisa de um empurrão, ele baixa os para estimular que as pessoas comprem, se endividam, consumam. E o Banco do Japão fez algo que nem outro Banco Central tinha feito antes na história. Eles baixaram os juros para zero em 1999. E eles mantiveram em zero por mais de duas décadas. E não parou por aí. Em 2016, eles fizeram algo ainda mais maluco. O Banco do Japão baixou juros para território negativo. Então, imagina que juros negativos de 0,1% era a realidade. Você vai no banco, você pega um empréstimo de 100 milhões de ienes e daqui a um ano você só precisa pagar 99, 9.9 milhões de volta. O banco está literalmente te pagando para você pegar dinheiro emprestado. Parece uma loucura, mas foi exatamente isso que aconteceu no Japão. O que o Banco do Japão pensou foi o seguinte, se as pessoas e empresas não querem gastar nem investir, vamos tornar tão caro deixar o dinheiro parado que eles vão ser forçados a gastar. Então se imagina num lugar de um japonês com juros negativos, onde você deixar um milhão de ienes parado na conta e daqui a um ano você tem menos de um milhão, porque o banco está cobrando de você para guardar esse dinheiro. É como se o dinheiro derretesse só de ficar lá. Então se deixar o dinheiro parado te faz perder dinheiro, você vai ser forçado a fazer alguma coisa com ele. Você vai comprar casas, coisas, negócios, vai emprestar para alguém, qualquer coisa. Ou você bota esse dinheiro para circular na economia ou você vai ver ele evaporar. Só que a estratégia do Banco do Japão não parou por aqui. Eles começaram a fazer o que a galera do mercado financeiro chama de quantitative easing. Eles ligavam a impressora de dinheiro, criavam trilhões de ienes do nada e usavam esse dinheiro recém-criado para comprar títulos do governo japonês. Então pensa nessa maluquice. O governo emite um título de dizendo eu devo 1 bilhão de ienes. Aí o Banco Central imprime 1 bilhão de ienes e compra esse título. É como se você tivesse uma dívida gigantesca no cartão de crédito, mas você pudesse imprimir o seu próprio dinheiro e pagar a si mesmo. Eu sei que é meio estranho e louco tudo isso, mas estava acontecendo mesmo. Em teoria, isso nem deveria funcionar. Se você imprime muito dinheiro, isso pode causar hiperinflação. A moeda do Japão deveria colapsar, mas por incrível que pareça, isso não aconteceu. Pelo menos não por 30 anos. Hoje, o Banco do Japão detém mais de 50% de toda a dívida pública japonesa. São mais de 500 70 trilhões de ienes em títulos do governo, cerca de 4 trilhões de dólares, todos na carteira do Banco Central. Para colocar isso em perspectiva, nos Estados Unidos, o Federal Reserve, que é o Banco Central americano, tem 14% da dívida pública americana. O Banco do Japão tem quase quatro vezes essa proporção. E não foi só dívida do governo que eles compraram, eles também compraram ações, bilhões de dólares em ações japonesas. Eles viraram um dos maiores acionistas de empresas listadas na Bolsa japonesa e ainda assim a economia continuou estagnada. A inflação que continuou perto de zero ou até negativa, era para a inflação do Japão ter explodido, era para o iene passar por uma hiperinflação, mas durante todas essas décadas o Japão viveu algo chamado de deflação. Deflação é quando os preços caem ao invés de subir. Para um brasileiro médio que odeia a inflação, a deflação parece ótima. Aqui no Brasil, troca governo e entra governo e as coisas no mercado continuam subindo de preço sempre. Então quem não gostaria de pagar menos pelas coisas? Só que a deflação é na verdade muito pior do que a inflação moderada. Sabe por quê? sabe que os preços vão cair no futuro, você não compra nada hoje. Você espera. Se eu quero comprar um relógio que custa 500 mil ienes, algo próximo de 3.500 dólares, por que eu devo comprar esse relógio hoje se a moeda do Japão é deflacionária? Daqui a um ano esse relógio vai estar mais barato e daqui a dois anos ainda mais barato. E o problema não para no consumo das pessoas. As próprias empresas japonesas sabem disso e por isso elas param de investir. Para que investir numa fábrica nova se as pessoas não estão consumindo? A economia entra numa espiral deflacionária onde todo mundo está esperando, ninguém está gastando e a economia fica cada vez mais lenta e travada. Foi isso que aconteceu no Japão por praticamente 30 anos. Depois daquele boom econômico da década de 70 e 80, o Japão passou por uma bolha. Depois da bolha veio a estagnação. A inflação média entre 95 e 2020 foi praticamente zero. Em alguns anos foi negativo. Isso significa que um iene em 95 vale a mesma coisa que um iene hoje. Prefeito de comparação, um real em 95 vale 7 reais hoje. E todo esse cenário de inflação quase zero, criou algo muito peculiar na mentalidade japonesa. Uma geração inteira de japoneses cresceu numa economia onde os preços nunca mudavam. Onde um bowl de ramen custa o mesmo em 2020 que custava em 95. Isso criou uma resistência cultural ao aumento de preços. As empresas tinham até medo de aumentar preço porque a população simplesmente não aceitava. Teve inclusive um caso de uma empresa onde literalmente todos os funcionários gravaram um vídeo pedindo desculpas publicamente por aumentar preços do sorvete em 9 centavos de dólar. Mas aí veio 2022 e tudo mudou. A invasão da Ucrânia pela Rússia causou um choque global nos preços de energia e commodities. E o Japão, que importa praticamente todo o seu petróleo e gás natural, foi atingido. Os preços de energia dispararam e pela primeira vez em décadas a inflação no Japão começou a subir. Em 2022 a inflação chegou a 4%. Em 2023 ficou acima de 3%. E pela primeira vez em 30 anos o Japão tinha inflação. E sabe o que é o mais louco? Os economistas do governo ficaram felizes com isso. Eles nem eram os responsáveis pelo no aumento dos preços, os culpados eram os russos, mas a inflação finalmente chegou. E a inflação significa que a economia estava finalmente saindo da espiral deflacionária, aquele ciclo que mantinha a economia japonesa presa por 30 anos. Mas isso também era um problema. A inflação veio pelos motivos errados. Ela não veio porque a economia estava crescendo e as pessoas estavam gastando mais. Ela veio porque o iene estava fraco e as importações estavam ficando caras. Em 2022, o iene caiu para 130 ienes por dólar, que foi o nível mais fraco em décadas, significa que tudo que o Japão importava, petróleo, gás, alimentos, eletrônicos, ficam uns 30% mais caro. E a população japonesa, que estava acostumada com os preços estáveis há 30 anos, de repente viu o custo de vida explodir. O preço do arroz, que é o alimento básico do Japão, começou a subir. A gasolina disparou. O preço da eletricidade subiu 40%, ou até mais em algumas regiões. E os salários, adivinha, continuavam congelados. Então, se a inflação sobe e o salário não sobe para corrigir, a população começa a ficar mais pobre. O poder de compra diminui. E depois de um tempo, as pessoas começaram a reclamar. E o governo, que não queria perder popularidade, começou a falar em distribuir vale-arroz, subsidiar combustíveis, criar novos programas sociais e tudo isso custa dinheiro. Dinheiro que o governo não tem. Ou seja, o Japão estava dando uma de Brasil aí. Era um populismo puro. E o mercado percebeu isso. Quando o governo anunciou esses pacotes, sabe o que aconteceu? Os juros dos títulos do governo japonês subiram violentamente. A taxa de juros do título de 40 anos do governo Japão estava na casa dos 2,6% em novembro de 2024. E depois que esse anúncio dos pacotes saiu, a taxa de juros começou a subir até o patamar que a gente está hoje, 3,7%, que é a máxima histórica. O mercado está dizendo que não acreditava mais que o governo japonês conseguisse gerenciar essa bagunça toda e, por isso, passou a exigir juros mais altos como compensação pelo risco de emprestar dinheiro para o Japão. Se a taxa de juros sobe um pouco num país como a Argentina e o Brasil, que tem 80 ou 90% da dívida em relação ao PIB, o problema não é assim tão... catastrófico no curto prazo. Mas quando isso acontece no país mais endividado do mundo, com 260% de dívida sobre o PIB, o resultado pode ser devastador. Então o governo japonês se meteu numa armadilha chamada de Debt Trap. Se eles mantêm os juros baixos, a inflação continua alta, o iene continua fraco, as importações continuam caras e o povo japonês fica mais pobre. Se eles aumentam os juros para combater a inflação, o custo da dívida explode e eles não têm dinheiro para pagar essa dívida, o que obriga eles a contrair mais dívida e deixar o país em uma situação ainda mais complicada. Então é escolher entre a peste e a cólera, né? E se você está achando a situação ruim, calma que fica muito pior. Na verdade, muito pior. Porque tem um segundo elemento nessa história que quase ninguém está prestando atenção suficiente. A demografia. E a demografia do Japão é, sem exagero, a pior de qualquer país desenvolvido no mundo. Em 2024, nasceram apenas 720 mil bebês no Japão. Esse é o menor número de nascimentos desde que o Japão começou a registrar esses dados em 1899. Sabe quantas pessoas morreram no Japão em 2024, 1,6 milhão. Ou seja, para cada um bebê que nasce, mais de duas pessoas morrem. A população do Japão está literalmente encolhendo. E está encolhendo rápido. Em 2010, o Japão tinha 128 milhões de habitantes. Hoje tem 122. E as projeções do governo mostram que até 2050 a população vai cair para 105 milhões. E até 2060 pode chegar a 87. O Japão vai perder quase um terço da sua população nas próximas décadas. O problema não é só o tamanho da população, é a estrutura. 30% da população A população japonesa tem mais de 65 anos. É a sociedade mais velha do mundo e a expectativa de vida no Japão é de 85 anos, uma das mais altas do planeta. E viver muito é ótimo, né? Mas a maioria das pessoas com mais de 65 anos não trabalham. Elas são aposentadas, então elas não pagam impostos. Na verdade, elas recebem benefícios do governo. E quem paga por esses benefícios? Os trabalhadores, as pessoas que estão economicamente ativas. Só que o número de trabalhadores está diminuindo rapidamente, enquanto o número de aposentados crescendo é uma situação muito parecida com o que o Brasil está passando. A proporção hoje é de 1,8 trabalhadores para cada aposentado no Japão. Nos anos 90, essa proporção era de 5,1 trabalhadores para cada aposentado. Isso significa que cada trabalhador japonês precisa carregar o peso de muito mais aposentados do que antigamente. São mais impostos saindo do salário. Menos dinheiro no bolso é menos capacidade de consumir, de investir também. Isso só piora. As projeções mostram que até 2050 a proporção pode chegar a apenas 1,2%. dois trabalhadores por aposentado. E matematicamente isso não funciona. Um país não consegue sustentar um sistema de aposentadoria quando tem quase o mesmo número de aposentados e trabalhadores. E o governo japonês está desesperado tentando resolver isso. Eles criaram um monte de incentivo financeiro para as famílias terem mais filhos. Eles pagam 10 mil dólares por criança em alguns lugares. Eles melhoraram o suporte de creches e educação infantil. Eles tentaram facilitar um pouco a imigração, embora o Japão continue sendo um dos países mais fechados do mundo para estrangeiro. Mas nada disso está aparentemente funcionando. A taxa de fertilidade no Japão está em 1,2 filhos por mulher. Então, aí você não saiba, mas se um país tem uma taxa abaixo de 2,1 filhos, a população deixa de ser estável e começa a declinar. E isso traz a gente de volta para a questão da dívida. Porque se tem menos pessoas nascendo, a base de arrecadação começa a encolher, mas os gastos do governo do Japão estão crescendo. Então, a única forma de financiar tudo isso é mais dívida. E aí, menos trabalhadores, menos impostos, menos arrecadação, mais déficit, mais dívida, mais juros a pagar, menos dinheiro para investir na economia. Economia estagnada, menos trabalhadores e aí o ciclo vai se repetindo e piorando ano após ano. Além de todos esses problemas que eu trouxe até agora, tem outro ponto crucial. Nessa história você vai ficar chocado. Esse problema conecta o Japão com o resto do mundo, especialmente com os Estados Unidos. Como eu disse agora há pouco no vídeo, durante várias décadas o Japão mantinha os juros em zero ou negativos. Então, alguns investidores do mundo inteiro descobriram uma brecha, um glitch no sistema financeiro mundial. Eles podiam pegar dinheiro emprestado no Japão pagando zero de juros ou até que está até sendo pagos para pegar emprestado, converter esse dinheiro em dólares, investir nos Estados Unidos, ganhando 5% ou mais de juros, então era dinheiro grátis. Isso aqui é chamado de carry trade. Pode parecer meio confuso, mas deixa eu te explicar rapidamente como funciona e você vai entender. Imagina que você é um grande fundo de investimento. Você vai no Japão, você pega emprestado 1 bilhão de ienes. A taxa de juros que você vai pagar é zero, ou seja, não vai sair nada do seu bolso. Você vai pegar esse 1 bilhão de ienes e você vai converter em dólar, na cotação, vamos dizer, de 150 ienes por dólar. você tem agora 6,6 milhões de dólares. Então você vai comprar 6 milhões de dólares em títulos do Tesouro americano que pagam 5% ao ano. Daqui a um ano, os seus 6,6 milhões de dólares se tornaram 7 milhões de dólares. Você converte de volta para ienes, paga de volta o 1 bilhão que você pegou emprestado e fica com lucro. E nesse caso, foi um lucro de quase 400 mil dólares sem fazer absolutamente nada. E detalhe, se a taxa de câmbio não ficou estável e o iene se desvalorizou no meio do caminho, que ele realmente vem se desvalorizando todo ano, desde 2012, você lucra ainda mais. Porque quando você vai pagar o empréstimo de volta, você precisa comprar ienes e você vai fazer isso com menos dólares. Então vai sobrar mais dinheiro no seu bolso. É um negócio tão louco que parece bom demais para ser verdade. E não foram alguns investidores que fizeram isso. Foram milhares. Fundos de pensão japoneses, companhias de seguro, bancos, hedge funds do mundo inteiro. Existem estimativas de alguns analistas que dizem que o yen carry trade, que é esse glitch que acabei de explicar, movimenta mais de 20 trilhões de dólares. Pra você ter uma ideia, isso é maior do que o PIB da China. É uma das maiores operações financeiras da história da humanidade. Só que todo esse dinheiro fluindo do Japão pra outros países teve consequências enormes. Primeiro, isso ajudou a manter os juros baixos nos Estados Unidos, porque tinha tanta demanda por títulos americanos que o governo não precisava oferecer juros muito altos. Segundo, ajudou a inflar os preços de vários ativos, como ações, imóveis e até mesmo o Bitcoin, que todo esse dinheiro barato tava procurando retorno em algum lugar. Então imagina que você pode pegar dinheiro emprestado a custo zero e comprar Bitcoin. Então, se você acha que o Bitcoin vai se valorizar mais que o iene e de fato foi o que aconteceu, é um free money. E terceiro, ajudou a financiar a dívida americana. Basicamente, trilhões de ienes baratos sendo convertidos em dólares e usados para comprar títulos do tesouro americano foi o que aconteceu. E aí o Japão virou o maior credor dos Estados Unidos. Mas tem um problema gigantesco nessa história. O carry trade só funciona se duas coisas acontecerem. Primeiro, os juros no Japão precisam continuar próximos de zero. E segundo, o iene precisa continuar fraco em relação ao dólar ou pelo menos estável. Se qualquer uma dessas duas coisas mudar, o carry trade desmorona e trilhões de dólares precisam ser rapidamente retirados do mercado. E sim, o dólar ainda continua muito forte em relação ao iene japonês. Em 2012, um dólar comprava 70 ienes e hoje compra mais 150. Então a moeda japonesa continua fraca. Só que no dia 31 de julho de 2024, o Banco do Japão se reuniu para decidir sobre a política monetária. E pela primeira vez em décadas, eles decidiram subir os juros de 0 para 0,25. E parece pouco, mas para um país que tinha juros negativos até pouco tempo atrás, isso é um terremoto. E o presidente do Banco do Japão deu a entender que mais aumentos estavam por vir. Então a moeda japonesa começou a se fortalecer rapidamente e em questão de dias foi de 130 ienes por dólar para 140 ienes por dólar. Uma variação de mais de 10% em menos de uma semana. E isso é devastador para o carry trade. Porque lembra, você pegou emprestado quando era 160 ienes por dólar, agora você precisa devolver quando está 140. Significa então, você precisa de muito mais dólares do que você esperava para comprar os ienes nesse necessários e pagar o empréstimo. De repente, então, você não está mais tendo lucro, você está tendo o prejuízo. Então, o que os investidores fizeram? Eles correram para desfazer as posições, venderam títulos americanos, venderam ações, venderam tudo para conseguir dólares, converter em ienes e pegar os empréstimos antes que o prejuízo ficasse ainda maior. E quando trilhões de dólares são retirados do mercado ao mesmo tempo, o que acontece? Os preços desabam. No dia 5 de agosto de 2024, uma segunda-feira que ficou conhecida como Black Monday aconteceu uma completa carnificina nas bolsas do mundo todo. O índice Nikkei do Japão caiu 12% no único dia. A pior queda de gestor da bolha lá no final da década de 90. A Nasdaq nos Estados Unidos caiu 10%. O S&P 500 caiu 8%. O Bitcoin despencou 23% numa semana. De 65 mil dólares para 50 mil, foi um pânico puro. E o mais assustador é que isso aconteceu por causa de um aumento de juros de apenas 0,25% no Japão. Imagina o que acontece se os juros no Japão subirem 1%. ou se subirem 2%. O Banco do Japão ficou com medo. Eles viram o estrago que causaram. Então, eles pausaram o aumento de corte de juros e deram sinais de que não subiriam juros tão rápido assim. Pelo menos por um certo tempo, isso deu certo. Os mercados se acalmaram, a volatilidade diminuiu, todo mundo deu uma respirada aliviado, mas o problema fundamental não foi resolvido. O Japão continua com uma dívida gigantesca. A inflação no Japão está acima da meta do Banco Central e o Banco do Japão não pode manter os juros em zero para sempre se a inflação está alta. Então, eles estavam preguiando E se mantivessem os juros baixos, a inflação continuaria corroendo o poder de compra da população. Mas se subissem os juros, eles corriam o risco de causar outro crash nos mercados. E aí chegou janeiro de 2025. O Banco do Japão decidiu que não tinha mais escolha. Eles precisavam agir. No dia 24 de janeiro de 2025, o Banco do Japão anunciou um novo aumento de 0,25 para 0,05. Era a taxa de juros mais alta do Japão em 17 anos. A mensagem estava dada, era muito clara. A era dos juros zero no Japão tinha acabado oficialmente. entendeu perfeitamente o que significava. Mais carry trades sendo desfeitos. E tem um detalhe crucial aqui. Não é nada concreto no mercado, mas existem estimativas que durante o Black Monday de agosto de 2024, quando o Bitcoin e a Bolsa Americana despencaram, só metade do carry trade foi desfeito. Isso significa que ainda existem por volta de 10 trilhões de dólares em posições alavancadas e que dependem de juros japoneses baixos. E agora, com os juros subindo de novo e com sinais claros de que vão continuar subindo, esses trilhões vão precisar ser desfeitos também. A diferença é que dessa vez, todo mundo sabe o que vem pela frente. E quando todo mundo sabe que um crash está vindo, todo mundo tenta sair ao mesmo tempo. E foi exatamente por isso que em dezembro de 2025, quando os títulos japoneses de 40 anos bateram 3,7%, os mercados globais entraram em alerta vermelho. Porque não era mais uma questão de se o carry trade vai desmoronar completamente. Era uma questão de quando. E agora, conforme os juros no Japão sobem, uma coisa interessante está começando a acontecer. Como eu disse, o Japão é uma maior detentor de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. São mais de um trilhão de dólares. E durante décadas, isso foi ótimo para os Estados Unidos, porque o governo americano precisa de alguém para comprar a sua dívida e o Japão estava sempre lá comprando trilhões. Isso ajudava a manter os juros americanos baixos, porque tinha tanta demanda por títulos que o governo não precisava oferecer juros mais altos. Só que agora, os investidores institucionais japoneses, fundos de pensão, seguradoras, banco, estão começando a se perguntar por que eu deveria manter dinheiro nos Estados Unidos ganhando 4% quando eu posso trazer de volta para o Japão e ganhar 3,7% sem risco cambial. E é por isso que alguns investidores acreditam que vai acontecer uma repatriação de capital. Os japoneses vão começar a trazer o dinheiro de volta para casa, vão vender os títulos americanos que têm, ou pelo menos não vão comprar novos quando os antigos vencerem. E se 1,2 trilhão de dólares saem do mercado de títulos americanos, o que acontece? A oferta de título da dívida do Tesouro aumenta e a demanda diminui. Os preços caem, os juros sobem para compensar, então os Estados Unidos vão ter que oferecer juros mais altos para atrair novos compradores para os seus títulos. E juros mais altos significam custos maiores para o governo americano. Lembrando que os Estados Unidos já gastam 1 trilhão de dólares por ano só com juros da dívida. E se a taxa voltar a subir por lá, isso adicionaria centenas de bilhões de dólares a mais em custos para o governo americano. E de onde que vem esse dinheiro? Ou vem de mais dívida, o governo se endivida ainda mais para pagar os juros da dívida antiga, ou vem de impressão de dinheiro. O Federal Reserve imprime dólares causando inflação. Não existe opção boa. E isso te afeta diretamente. Mesmo morando no Brasil, porque quando os juros americanos sobem, o Banco Central do Brasil precisa aumentar também os juros para evitar fuga de capital. E juros mais altos significam financiamentos mais caros, menos investimento empresarial, crescimento econômico mais lento. Você pode acabar se lascando e pagar o pato simplesmente porque o Japão não consegue mais sustentar o seu papel de maior credor do mundo. E tem mais. Além de toda essa questão da dívida, dos juros, do carry trade e da diminuição da população no Japão, tem um problema político e social acontecendo no Japão, que torna tudo isso ainda mais complicado. O primeiro-ministro do Japão está extremamente impopular, porque a população está furiosa com a inflação. Lembra que eu disse que os japoneses viveram 30 anos com os preços estáveis? Que uma geração inteira cresceu sem nunca ver a inflação? Então, agora os preços estão subindo. E a população não está acostumada com isso. O poder de compra está caindo. Eles estão protestando, eles estão reclamando, eles estão exigindo que o governo faça alguma coisa. Então, o que o governo fez? anunciou aquele pacote de 135 bilhões de dólares em estímulos que eu mencionei mais cedo. Enquanto isso está acontecendo, tem um movimento muito interessante que está rolando no mercado japonês. A MetaPlanet, que é uma empresa japonesa e é listada na Bolsa, decidiu colocar uma parte das reservas dela em Bitcoin. E as ações da empresa explodiram. Por quê? Porque os investidores japoneses estão vendo isso como uma forma de proteção, um hedge contra a desvalorização do iene e contra a inflação. E se você não confia mais no governo, se você não confia mais no Banco Central, se você acha a situação do Japão que vai continuar realmente piorando e que o INE vai perder valor, a inflação vai continuar subindo, o que você faz? Você coloca o seu dinheiro em alguma coisa que o governo não pode controlar, que não pode ser impresso, que não pode ser manipulado. E para muitos investidores japoneses e não japoneses, isso significa Bitcoin. Eu não estou dizendo que todo mundo no Japão está comprando Bitcoin, longe disso, mas a adoção do Bitcoin no Japão está aumentando. Isso mostra que tem uma perda de confiança no sistema financeiro tradicional. E essa perda de confiança é perigosa, porque confiança é tudo nos se as pessoas param de acreditar que o governo consegue gerenciar a economia, que a moeda vai manter o seu valor, que a dívida vai ser paga, aí você tem os ingredientes perfeitos para um colapso. Agora, vamos conectar todos os pontos dessa história. O Japão tem uma dívida de 260% do PIB, a maior do mundo, inclusive são os maiores detentores da dívida americana. A demografia está piorando rapidamente, são cada vez menos trabalhadores e mais aposentados, é o país mais velho do mundo. Desde o conflito da Rússia e Ucrânia, a inflação está subindo e é a maior em 30 anos. O Banco do Japão O Japão precisa subir os juros para combater a inflação, mas isso aumenta o custo da dívida, que é gigantesca. O carry trade com trilhões de dólares está começando a desmoronar. Os investidores institucionais japoneses estão pensando em repatriar capital, vendendo títulos americanos. Isso pode complicar e muito a vida do Banco Central dos Estados Unidos. Essa repatriação de capital pode causar um aumento da taxa de juros de vários países do mundo, inclusive do Brasil. O governo está fazendo gastos populistas financiados com dívida e o mercado não está gostando. E a confiança está começando a rachar. Empresas e pessoas estão adotando cada vez mais o Bitcoin para fugir desse sistema. E o pior é que cada um desses elementos alimenta os outros, criando um ciclo vicioso. Acaba sendo um efeito dominó. E cada peça que cai empurra a próxima. E bom, se você está preocupado com tudo que você viu nesse vídeo, se você quer proteger o seu patrimônio desses riscos globais, se você quer ter certeza de que você está posicionado corretamente para uma possível crise que pode acontecer com o Japão e que pode impactar o mundo como um todo, então você pode clicar no link da descrição ou escanear o QR Code na tela que um consultor de investimentos investimentos do meu time, aqui da Portfel, vai entrar em contato com você. Para quem não sabe, a Portfel é a consultoria de investimentos do Grupo Primo. É a consultoria que mais cresce no Brasil. E se fizer sentido para você, um consultor da Portfel vai montar um plano personalizado para te ajudar a investir no meio de todo esse caos. E agora, voltando aqui ao nosso assunto, tem uma pergunta que eu sei que está martelo na sua cabeça. Tiago, quando isso vai acontecer? Quando o Japão vai colapsar? É semana que vem? É o mês que vem? Ou é o ano que vem? E a resposta honesta é que eu não sei. Ninguém sabe. O Japão está nessa situação há 30 anos e pode continuar por mais 5, 10, quem sabe 20 anos. Ou pode colapsar amanhã. Ninguém tem bola de cristal, mas o que eu posso te dizer é que os sinais de alerta estão todos acesos. E essa não é a primeira vez que um país se mete numa confusão dessas. A história está cheia de exemplos de países que acumularam dívidas gigantescas e não conseguiram pagar. A Grécia em 2010, a Argentina múltiplas vezes, a Rússia em 1998, o México nos anos 80. E sabe o que todos esses casos têm em comum? Quando a crise finalmente veio, ela veio rápido. Muito mais rápido do que as pessoas esperavam. no caso da Grécia. Na raiz da crise grega, está uma dívida de aproximadamente 320 bilhões de euros que o país simplesmente não tinha condições de pagar. E como eles chegaram nessa situação? Simples. Durante muitos anos, o país gastou bem mais do que arrecadava e financiava os gastos através de empréstimos. Algo muito parecido com o Japão, que é o que ele está vivendo hoje. O gasto público do governo grego começou a subir muito mais do que em outros países da zona do euro. Ninguém mais queria emprestar dinheiro para a Grécia e quem topava só com juros altíssimos, como se estivesse emprestando para um país à beira do calote, acabava provando esse ponto. E a confiança evaporou em semanas. Até que um dia sem aviso prévio, os investidores entraram em pânico. Em questão de semanas, a Grécia passou uma crise devastadora. Taxa de juros da dívida disparou de 5% para mais de 30%. Desemprego passou de 20%, chegou em mais de 25%. O PIB caiu 30% em cinco anos e as pessoas sacavam dinheiro dos bancos com medo de calote. Aí teve protesto, teve caos e a Bolsa de Atenas derreteu. Perdeu mais de 80% de valor de mercado em meses. Foi uma sangue. completa. A Grécia precisou de um resgate de emergência de 110 bilhões de euros da União Europeia e do FMI. Foi o primeiro país desenvolvido a implodir financeiramente na zona do euro. A Argentina também passou por algo parecido várias vezes. O caso mais emblemático foi em 2001. A Argentina deu o maior calote soberano da história até então. Foram 100 bilhões de dólares em dívida que não foram pagos. O país entrou em colapso. O peso argentino perdeu completamente o valor. As reservas internacionais evaporaram. Teve saque dos bancos. Congelamento de depósitos propósitos, protestos, cinco presidentes diferentes em menos de um mês. E depois disso, a confiança nunca mais foi a mesma. Mesmo com várias reestruturações, a Argentina voltou a dar calote em 2014 e de novo em 2020. E até hoje, os nossos irmãos têm alguns problemas de inflação, fuga de capital, dólar paralelo, tudo por causa de uma dívida que fugiu do controle. E detalhe, a dívida da Grécia, no pico da crise, era de 190% do PIB. O Japão hoje está com 260% da dívida em relação ao PIB. Durante anos, décadas na verdade, todo mundo tem dito que a dívida japonesa é insustentável. Mas o país continua funcionando como se nada estivesse acontecendo. Até que um dia pode não continuar mais. E quando isso acontecer, vai ser rápido. E vai pegar muita gente de surpresa. Agora, tem uma diferença entre o Japão e países como Grécia e Argentina. O Japão é muito maior e muito mais importante para o sistema financeiro global. A Grécia tem uma economia de 200 bilhões de dólares. A Argentina, de 600. O Japão tem uma de 4,2 trilhões de dólares. É 20 vezes maior que a Grécia. Então, quando a Grécia entrou em crise, a Europa sentiu. Mas o resto do mundo ficou relativamente imune. Se o Japão entrar em crise, o mundo inteiro vai sentir. E forte. Porque, como eu disse, o Japão é o maior detentor da dívida americana, é o terceiro maior parceiro comercial dos Estados Unidos. Então, se o Japão cair, leva o mundo todo junto. E tem mais um elemento que torna a situação do Japão particularmente mais perigosa. Ao contrário da Grécia ou da Argentina, o Japão não pode simplesmente desvalorizar a moeda e dar calote na dívida externa. Por quê? Porque 90% da dívida japonesa é doméstica. É devida aos próprios japoneses. Então, se o governo o governo decalote, quem perde são os fundos de pensão japoneses, são os aposentados japoneses, são os bancos japoneses e seria devastador para a própria população e nenhum governo sobreviveria a isso. Então o que resta? Olha, é difícil imaginar uma saída para toda essa situação. Se existisse uma solução perfeita, provavelmente alguém já estaria implantando agora mesmo no Japão e o que provavelmente vai acontecer é simples. O Banco do Japão vai imprimir mais dinheiro, vai comprar a dívida do governo, isso evita um calote no papel, mas tem um preço, a inflação. Quanto mais ienes são criados, menos cada cada iene vale, o iene perde força, os preços sobem, a população fica mais pobre, é quase como se fosse um calote disfarçado. O governo vai pagar dívida, mas quem vai perder é o povo com a inflação. E essas são as opções que restam quando você está numa armadilha de dívida dessa magnitude. Isso é exatamente o que alguns analistas estão prevendo que vai acontecer. Alguns investidores acreditam que a gente vai chegar a um ponto onde países muito endividados, não só o Japão, mas Estados Unidos e outros, vão ser forçados a canalizar a poupança nacional para financiar o governo. Em português, claro, é quase como se fosse como se fosse um confisco. Você não tira o dinheiro das pessoas, mas você força elas a emprestar dinheiro para o governo a taxas abaixo do mercado. E quem perde? Todo mundo que tem dinheiro guardado. Seus investimentos vão render menos do que poderão render e acaba sendo uma transferência silenciosa de riqueza dos poupadores para o governo. E o pior é que a maioria das pessoas nem vai perceber o que está acontecendo, porque é feito através de regulamentações técnicas e mudanças nas regras que a maioria das pessoas não entende simplesmente por ignorância. Mas o resultado final é o mesmo. fica mais pobre e o governo consegue se financiar. E agora, depois de tudo isso que eu te contei, eu quero que você entenda uma coisa muito importante. Esse não é apenas um problema do Japão. O Japão é apenas o mais avançado nesse ciclo, mas outros países estão no mesmo caminho. Nos Estados Unidos tem uma dívida de 38 trilhões de dólares crescendo, a dívida do Brasil está aumentando, a Europa tem dívidas enormes e um crescimento anêmico e até mesmo a dívida da China dobrou de tamanho na última década. O mundo inteiro está numa trajetória de dívida insustentável e em algum momento essa conta vai ter que ser paga. A questão não é se, é quando. E quando chegar, os que estiverem preparados vão conseguir não apenas proteger o patrimônio, mas talvez até aproveitar as oportunidades que surgem da crise. Turma, esse provavelmente foi um dos vídeos mais importantes e complexos que eu já fiz para o canal. Espero que você tenha absorvido tudo ou pelo menos uma parte das coisas que eu falei até aqui. Compartilhe esse vídeo com quem você acha que precisa assistir o conteúdo e se inscreve no canal para acompanhar mais vídeos como esse. Um grande abraço, até o próximo vídeo e tchau.